23 de fevereiro de 2009

13 de fevereiro de 2009

Camaleão aos pedaços...

Photo by Alice atras do Espelho

Na preguiça da loucura bocejo à espera.
O tempo pára só por uns segundos.
Tomo um banho de som intrépido.
Limpo os olhos de papel. Remendos cristalinos.
Retiro da boca umas palavras, algumas vêm rasgadas.
Sacudo este sentimento.
O silêncio questiona.
Vou lá estar gentilmente, tal como antes.

Pássaros chilreiam baixinho, nas persianas.
Escondemos a dor num cesto,
E ninguém quer ouvir a Morte.
Cozo a pele numa manta de cores.
Mudo de camisola por um punhado de respostas,
Um dia para dentro e um dia para fora.

Com coragem de camaleão procuro outros animais.
Palpita a mão da tua geração,
E há sempre alguma coisa que partiu.
Sorri crocodilo enquanto te sentas no trono.
Boa viagem quando caíres,
Agora para cima e depois para baixo.

Verifiquei no eco do precipício,
E ao meu ouvido a Fantasia sussurrou.
Dedico um sono profundo às nuvens.

Emerge a realidade. Dentro do casulo.
Apercebo-me que estás ai.
Em toda a parte.
Olho em volta para o tamanho das ruas.
Vende-se amor aos litros.
Apanho os pedaços da tua voz.
És tu? Ou sou eu?
Dou-te tempo para matares.

Quando o mundo está demasiado comigo.
Volto a enlouquecer…

Contrastes

Photo by Alice atras do Espelho

Porque dizer tudo, é muito...
Porque não dizer nada, é pouco...

Os contrastes também falam...

8 de fevereiro de 2009

Ruído

Photo by Alice atrás do Espelho

Os raios de sol que espreitam atrás do espelho,
Trazem consigo os dias em multidão,
E a chuva ainda sorri esporadicamente.

Biquínis amarelos dançam nas ondas da praia,
Bolas coloridas pulam de jovem em jovem,
E os burburinhos perdem-se na sombra da brisa.

Toalhas descascadas em conversas amenas,
Gafanhotos de comida saltam de boca em boca,
E os gelados lambem caras inocentes.

São a areia que bates no chinelo,
São o sal que tiras nos braços da tua pimenta,
São as ideias que esfregas na gordura do teu creme.

No ruído de uma foto as tuas memorias,
No ruído de uma musica a tua escuridão,
No ruído de uma casa a tua vida.

Troco de corpo,
Visto uma paisagem,
Durmo em ti,
Acordo em mim,

Não posso ouvir mais este ruído!
O silêncio faz músculo no meu ouvido…

3 de fevereiro de 2009

Dilema etico - Frase da noite

Photo by Alice atras do Espelho

Hoje durante a noite, alguém disse: "Antes pobre e viver na rua, do que andar por aí com o cú dorido. Assim posso-me sentar onde quiser e quando quiser..."

1 de fevereiro de 2009

Beijo de Pedra

Um beijo frio nos teus doces lábios,
Nunca se perdem na boca do tempo.

Um beijo morto do teu sabor,
Vive na língua dos teus dias,
Muda e sem razão, é engolida.

A sofreguidão da Morte,
Num gesto pujante e sem pudor,
Abraça o calor do teu Amor,
Apenas num Beijo de Pedra.


7 de janeiro de 2009

Lost Images

Algumas das Imagens perdidas na minha memória de 2008...
Esperando que 2009 traga mais Imagens por descobrir...

Link: http://www.youtube.com/watch?v=KwzByCoAHpo


26 de dezembro de 2008

Bom Natal!

Photo by Alice atras do Espelho

Bem já passou mais um Natal...
Estamos quase a entrar num novo ano...
Mas até lá ainda vou sonhar...
Com mundos e cores,
Cujas transparências sabem a licor de ameixa...


Bjs para todos

29 de julho de 2008

Na Sombra do Sol

Photo by Alice atras do Espelho


A variação na velocidade das sombras nunca mostra a cara.
A caixa do teu corpo nunca mostra surpresas.
A dança da tua mente nunca mostra as palavras completas.
O sorriso da tua alma nunca mostra a grandeza das tuas nuvens.

Avanças numa perspectiva crua, dentro da penumbra esquecida.
Alastras um veludo pano, na escuridão do teu toque.
Engoles de um raciocínio só, o ar disperso.
Abraças intimamente a tarde do teu ser.

Vi outros fugirem do teu contraste, deixaram rastro em néons de ouro falso e partiram com um molho de cicatrizes debaixo do braço.
Não entendem as nuances luminosas no fosso do teu cheiro, nem os contornos desenhados na musicalidade das tuas profundezas.

A tua não superfície incomoda, todos os que vivem em cabanas de imutabilidade camuflada, com um brilho escondido.
Esse é o tesouro dourado…Permanece debaixo da tua capa numa adivinha salpicada. Ele é a força desconhecida que os raios da tua transparência não mostra, a coragem abrasadora que atravessa as ondas da tua parede, o escudo ritmado na textura das tuas emoções.

Sorves sedução e exalas um desconhecido radiante.
Os passos do teu caminho, são números etéricos num esquema cujos habitantes circenses não querem aprender…
Guias em cavalos nocturnos, as palavras-pesadelo em torno da fragilidade daqueles artistas mascarados, que nunca mostram a face nem frases quebradas.
O espelho da tua noite é uma mitologia que não se apaga, por mais que os reflexos subterrâneos da tua opacidade viva na sombra do Sol…

6 de junho de 2008

Hoje

(photo by melenin)

Entre as linhas por escrever, as ideias por nomear e as imagens por numerar, escorre-me o tempo entre os dedos...

A gaveta aberta do armário, os olhos semi-cerrados de sono e os papeis espalhados numa mesa, ficam os dias numa semana que ainda não preencheu o mês...

Amanhã é cedo demais, ontem faz parte de memórias passadas, mas hoje fica aqui tão pertinho...



7 de janeiro de 2008

2008

Bom 2008 a todos!...Especialmente para aqueles que ainda não existem....
Um beijo doce para todos os que vivem dentro da minha cabeça....


22 de dezembro de 2007

21 de dezembro de 2007

Página em Branco!

Página em branco que não me abandona!
São partes de mim que não se mexem,
Umas passam, outras vão andando,
Quero mais!
Mas o branco continua por escrever.
Quero todo o Amor que conseguir obter,
Página em branco que não me larga!
Beijo ao de leve as ideias,
Adivinho as palavras e disparo letras de uma arma,
Umas passam outras vão andando,
Preciso de mais!
Pagina em branco que não me falas!
Esperei que as mãos tremessem e desenhassem,
Escutei os sonhos que tive,
Uns passam, outros vão andando,
Mas o silêncio do branco foi imperativo,
Página em branco que não desaparece!
Volta para casa, não saias de mim.
Os significados em livros procurei,
As memorias da verdade acabei de ler,
Uma passam, outras vão andando,
Sinto muito mais!
Página em branco que não me vê!
Procurei por outros passageiros,
Mas das viagens apenas restaram os transportes,
Uns passam, outros vão andando,
Vivo dentro de um branco extenso,
Sou muito mais!

Será que alcançarás tu no branco, o que eu já senti?

Oh página em branco que não me ama!
Desfolhei as folhas dos sentimentos,
Uns passam, outros vão andando…

Filhos do Nada.


Será que existe Amor na Dor?!
Na Dor que reina a solidão…
Numa solidão que nunca nos deixa, e não nos abandona,
Conquistamos a Essência quando existimos, sentimos e lutamos,
Mas será que Existimos durante toda a Essência?!

Perdi-me nas minhas confissões, mas encontrei-te…
Perdi-te nos fios que tecem as ligações,
São orquestrados por uma Voz, um Som incolor,
Que nunca se faz ouvir…
O teu cheiro ficou, mas os teus fios não.
Será que te posso ouvir?

Ainda sinto a água seca que escorre nas tuas veias,
Filho do Nada protegido pelo manto de ostentação,
Glorifico as tuas penas, pois os pássaros resistem na luta,
Beijam espinhos da Pedra que os fazem esquecer,
A única arma são as suas robustas penas,
Criando defesas na densa vulnerabilidade.
Será que conseguimos aguentar?

Filhos do Nada, cujos momentos são absorvidos,
Num nevoeiro das ruas do quotidiano,
Onde pequenas gotículas metálicas pairam,
Dançando em suas negras lágrimas, com um brilho frio,
O sopro atravessa os seus corpos, deixando saudade do quente aconchego,
Um ultimo resquício de Amor dorido.
Será que ainda nos sentimos?

As sombras diluem-se no anonimato da escuridão,
Os Filhos do Nada gritam pelo silêncio humano,
Iluminam com velas os quartos das suas angústias,
Ajoelham-se e pedem às paredes que os sentimentos desçam,
As escadas da incompreensão cantam as suas orações,
Os sacerdotes movimentam as suas intenções,
Em seus imaginários distraídos penetram sonhos e desejos errantes,
Queimam incensos e fantasias reais, os ossos da carne fugaz libertam-se,
O fumo do templo dispersa-se na fronteira.
Essa enche o mistério, adormece entre o Vazio e o Não Vazio,
Território dos Filhos do Nada, Travessia dos Sem-Fim.
Será que conseguimos viver aqui?

Percorrem submundos inexistentes, ouvindo e cantarolando,
A música muda achada em tesouros de sensações,
Aí permanecem, caminham em questões labirínticas,
As mensagens flutuam no caminho da Consciência,
Todos queremos o mesmo…balões vermelhos perdidos na Felicidade!
Será que te posso Amar?!

A Dor do Amor é tudo o que existe quando se ama a Dor…

7 de outubro de 2007

Agora...

Photo by Alice atras do Espelho


Estou parada....ao fundo algo de importante se vislumbra....

31 de agosto de 2007

Vermelho ou Azul?



Red pill or Blue pill?

Pode ser cocktail?!
Embrulhe que é para levar se faz favor.
Já agora não tem roxos, nao?
É pena, escusava de tomar dois comprimidinhos, podia ser tudo de uma vez só. Talvez assim, passasse mais depressa para o outro lado...

30 de agosto de 2007

Post de chegada!

Pequenas férias = Carne de canibal enfiada num canhão anão e depois espera-se pelo resultado!

6 de agosto de 2007

Na realidade, apenas uma noite...

Desci a calçada íngreme e oleada pela breve chuva, passou deixando cair sua capa luminosa, por cima daquele bairro escuro. Entre os frouxos candeeiros, escorria uma claridade sebosa nas paredes dos prédios. Situava-me no coração da parte mais antiga da cidade, no entanto, não ouvia nem via viva alma.
― Noventa, noventa e dois, noventa e quatro… noventa e seis!
Guardei o papelinho dobrado em quatro, num dos bolsos das calças.
― São dez e meia em ponto…mesmo a horas.
Toquei na perra campainha do numero 96, ouvi um arrastar pesado e quase doloroso do lado de dentro. Uma luz azul passava pelas toscas frinchas, e como um cão que fareja por debaixo, alguém chegou há maciça porta de madeira. De repente, ouvi um barulho oco da portinhola que se abrira, mesmo de fronte dos meus olhos. No interior da pequena escuridão, surgiram outros dois olhos, um reflexo dos meus, mas sem vida e encovados.
― Err…é aqui que fica o Bar?
― Simmm – saía uma voz cavernosa e um bafo a álcool de pouca qualidade.
A portinhola fechou-se bruscamente, a porta rangeu com a humidade e progressivamente, vislumbrei a figura por detrás do portal. Um homem gigante, suado e mal vestido, que colocou na minha mão um cartão rosa choque, com a delicadeza de um bulldozer.
― Boa noite. – disse tentando sorrir.
― Boaaa noiteeee. – o som agrilhoado por um bloco de toneladas, deslizou para fora dos poucos dentes.
Aquele homem, desgastado e levemente deformado abriu as cortinas, sangue veludo detrás de si, com apenas um gesto.
― É sempreee em frenteee.
Passei pelo pano macio, sentindo o fedor a mofo e tabaco enjaulados naquela sala subterrânea, cujo ambiente colorido, manifestava-se numa aparência circense.
Procurei por ele. Já devia ter chegado, pois sempre fora um amante pontual. Olhei em volta para as mesas de pau, o balcão impenetrável, as gentes palradoras misturadas entre velas e pequenos candeeiros, espalhados como estrelas numa noite escura. Ainda não chegou; estranho pensei.
Sentei-me ao balcão, num dos altos bancos vazios e pedi à rapariga que me trouxesse uma bebida. Possante e desembaraçada, entregou-me o copo com um sorriso simpático, abrindo o brilho dos seus cristalinos olhos verdes. Animada, dirigiu-se para o fundo, onde se encontravam mais quatro jovens raparigas da sua idade, alcoolicamente desinibidas. Depreendi que eram suas amigas, pela intimidade com que bebiam shots flamejantes.
Olhei para o relógio, dez e quarenta e dois e ele ainda não apareceu. Procurei na mala pelo telemóvel. Escrevi “Já cá estou. Onde andas?" Acendi um cigarro, dei um gole no elixir de catorze anos, aquecendo a minha garganta seca. Pousei o copo, abriu-se uma ténue luz ao fundo da sala, mostrando um palco encardido, onde uma banda qualquer subiu, apresentando-se de modo nervosamente disfarçada. Voltei as costas ao impenetrável balcão, para poder ver melhor a vocalista de cabelos ruivos. A música começou a dançar na sala e o meu telemóvel acendeu.

And after you take me

É ele, “Tou a caminho”, sorri pela antecipação do prazer que iria sofrer. Fiz sinal para que a bela rapariga me enchesse o copo. Um homem louro, de olhos roxos abordou-me.
― Estás a gostar?
― Ainda agora começou…mas não tocam mal…
― Ela é gira não é?
― É interessante…mas…não sou apreciadora. – mostrando algum desconforto perante aquele desconhecido.
― Estás sozinha?
― Não, estou há espera de alguém.

You will comfort me

― Desculpa não me apresentei, sou construtor corporal e chamo-me Laefar.
― Construtor corporal?! – levantei o sobrolho.
― Pagam-me para construir corpos, tanto vivos como mortos…nas mais variadas formas e tamanhos.
― Humm. – anui desinteressadamente.
― Se algum dia precisares de tratar esse teu corpinho, tens aqui meu cartão. Posso sempre fazer um desconto. Troco a tua carne pela minha carne, ok?! – piscou o olho e desapareceu na leve escuridão.
Coloquei o cartão debaixo do copo vazio, abanei a cabeça e chamei a rapariga.
― Era outro se faz favor.
― Está tudo bem? – perguntou com um doce desembaraço.
― Sim. Uma mulher sozinha ao balcão de um bar, pode sujeitar-se a que lhe aparecem aves raras.
― Ele é assim mas é inofensivo, já faz parte da mobília, entendes!

You will do my bidding
You will serve me


Voltei-me de novo para o palco; os tons ocres e grenás das luzes penduradas e ondulantes em volta da vocalista ruiva conferiam, um sabor menos ansioso à espera. Os instrumentos de percussão aumentavam, deambulavam numa intensidade cambaleante tal como, o álcool que o meu sangue destilava. Circulando pelas circunvalações do meu cérebro, começava agora a dar um ar de sua graça.
Num espaço de dois bancos vazios, um rapaz de preto e todo furado por peças de metal reluzentes, sentou-se descontraidamente. Acendi mais um cigarro. Ao fundo do balcão as raparigas beijaram-se em conjunto, lamberam os dedos das bebidas que pingavam lascivamente e riram-se despojadamente.
― Costumas vir aqui muitas vezes? – perguntou o rapaz enquanto ajeitava as correntes que trazia agarradas ás calças.
― Essa é velha... – a ligeira embriaguez desenlaçava os traços do meu acanhamento.
― Estás sozinha?
― Não, estou há espera de alguém.
― Ah ah ah, essa também é velha. – com um esgar sacana coçou a barba mal aparada.
― Estou aqui sentada sozinha mas, porque ele ainda não chegou.
― Ele então deve ser estúpido! Deixar alguém há espera, com esse corpinho carnudo… essas ancas devem se mexer bem. Ah…e essa cara não engana ninguém, tens mesmo ar de quem gosta de levar com ele.

Now get undressed
Feel my emptiness

Fiquei atónita. O alfabeto da minha linguagem corporal só conseguiu levantar as sobrancelhas, desenhando um mutismo perplexo perante tamanha ousadia estúpida.
― Ficas-te assim, porque ainda não me viste nu…estou todo rapadinho…
― Desculpa, mas ainda não percebeste?!
― Em minha casa? Ou preferes a tua? – continuava o rapaz sensualmente ridículo.
Desatei a rir e pedi mais uma bebida, pois a sobriedade caíra no meu corpo como um raio no meio do deserto.
― Desaparece!
― Olha que eu aguento durante várias horas… – insistia meio agitado.
― Desaparece-me da frente já disse! – levantei-me do banco, demonstrando que o único contacto físico que teríamos seria violento.

My loneliness

O tilintar das correntes suspensas daquela personagem surrealista, desvaneceu-se entre velas e candeeiros, de rabo enfiado no tronco das pernas.
Bebi metade do líquido dourado, de um só trago. Olhei para o telemóvel, já são onze e vinte e sete, foda-se! Estou aqui, há quase uma hora neste fim de mundo, rodeada de gente esquisita, sozinha e farta de esperar. Projectara no início da noite um filme com corpos enroscados, onde as lágrimas de suor deslizavam entre pêlos virilmente púbicos, as carícias mudas respiravam ofegantes no meio de lençóis abraçados; não com um filme cuja banda sonora tocava um órgão de igreja fatalista, anunciando o fim dos mundos.
Arrumei as coisas dentro da mala e perguntei quanto é que devia.
As raparigas depois na enésima bebida flamejante, perderam a vergonha, comiam-se escancaradamente, simulando livros abertos em loja de doces.

Serve me right now

― São vinte e oito Eras.
Abri novamente a mala e paguei prontamente, antes que se iniciassem mais alguma abordagem despropositada ou inóspita, por parte da fauna estranhamente masculina. Dirigi-me para a saída, mal contornei a esquina do balcão, vi-o.
― Desculpa o atraso, mas fui a Vila Escondida.
― Fazer?
― Queres beber alguma coisa?
― Por hoje já bebi que chegue.
― Procurar a minha côr.
― E então?
― Não encontrei.
― Não havia ou estava esgotada?
― A côr que eu quero não existe.
― Isso significa que vais continuar sem côr.
― Sim, muito provavelmente…
― Vamos para casa.
― Antes que eu fique transparente…

You will never leave me
For I am in control
I own your body
Your mind and your soul