24 de novembro de 2009

Quadriculas de Rodin



Oh, se eu não fizesse nada só por preguiça! Meu Deus, que respeito teria por mim. E teria esse respeito, precisamente, porque era capaz, pelo menos, de ter preguiça; haveria em mim, pelo menos, a certeza de uma característica definida. Se perguntassem de mim: quem é? E respondessem: um mandrião - isso ser-me-ia extremamente agradável de ouvir. Quer dizer que tinha uma característica determinada, logo, era possível dizer algo de mim. «Mandrião!» - mas isso é um título, um cargo, uma carreira.

Photo by Alice

Onde foram todos esses sábios buscar a ideia de que o homem precisa de uma qualquer vontade normal e virtuosa? Por que razão fantasiaram eles que é indispensável ao homem uma vontade sensatamente vantajosa? O que o homem precisa é só de uma vontade independente, custe o que custar e leve aonde levar esta independência. E saber-se lá que Diabo de vontade é essa...


(Fiódor Dostoiévski)

2 comentários:

Raquel disse...

Com as palavras de Dostoievski não podia dar errado ;)
Adoro a imagem!
Bjs daqui, com saudades xx

alice atras do espelho disse...

Thks Raquel. Esta foto já a tinha aqui a algum tempo, mas não tinha tido a oportunidade de a por =)
Dostoiévski achei que era apropriado.

Bjs deste lado.